sábado, 28 de fevereiro de 2015

Governo teme que greve alimente protesto de 15 de março

Radicalização do debate público demanda mais cautela dos políticos
A orientação da presidente Dilma Rousseff é que os ministros tentem encerrar rapidamente a greve dos caminhoneiros. Há temor de que esse movimento possa dar combustível aos protestos previstos para 15 de março.
A avaliação do Palácio do Planalto é que existem setores do movimento com uma pauta política contra Dilma e o PT e não com uma lista de reivindicações trabalhistas e empresariais. Na visão do governo, já há expectativa de que 20 mil pessoas participem do protesto na capital paulista. Se a greve dos caminhoneiros se prolongar e agravar seus efeitos políticos e econômicos, poderá ser uma faísca a incendiar os protestos marcados para o mês que vem.
O movimento dos caminhoneiros tem uma pauta ampla, que trata de preço do frete, do combustível, do pedágio e de aumento da jornada de trabalho. Isso envolve vários ministérios e o Congresso. Há ainda muita divisão entre os líderes grevistas, o que torna difícil encontrar quem possa celebrar um acordo efetivo com o governo.
Os principais temores do Palácio do Planalto são em relação à duração da greve. O movimento já atinge 12 Estados nesta manhã e tem crescido. Tem provocado alta do preço dos combustíveis em algumas regiões e até desabastecimento.
Se a paralisação durar mais tempo, a produção de alimentos poderá ser ainda mais afetada e gerar maior desabastecimento. Isso teria um efeito econômico ruim num ano que já anda complicado desse ponto de vista.
Esse efeito geraria ainda uma imagem de desordem no país, que poderia afetar ainda mais a popularidade do governo e alimentar um clima de radicalização do debate público, que já anda bem apimentado.
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A atmosfera pesada de radicalização do discurso de críticos e apoiadores do governo é um reflexo preocupante da série de notícias negativas que o Brasil vem enfrentando nas últimas semanas, seja na economia, seja na política. É também um pouco uma herança da campanha eleitoral acirrada.
Houve briga entre manifestantes ontem, no Rio de Janeiro, a respeito da Petrobras e da Operação Lava Jato. Foi divulgado um vídeo que mostrou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega sendo hostilizado num hospital privado em São Paulo. Os dois casos refletem o clima de intolerância no debate público. O caso de Mantega é mais grave, por mostrar um desrespeito inaceitável a alguém que acompanhava a esposa que faz um tratamento delicado de saúde.
A democracia garante o livre direito de manifestação, mas ele não pode ser violento. Jornalistas devem ter equilíbrio e condenar qualquer tipo de violência, física ou verbal.
Na semana passada, a advogada Dora Cavalcanti, que defende a Odebrecht, escreveu na “Folha de S.Paulo” um artigo em que dizia que o Brasil não precisa optar entre o combate à corrupção e o Estado de direito, porque eles não são excludentes. Ela mesma diz que isso é óbvio e tem razão.

Mas parece que os radicais de parte a parte não estão interessados em argumentar, mas, sim, em eliminar o outro. Vemos muito disso nas redes sociais, um clima de mata e esfola, o valentão do Twitter, a capacidade de ofender com leviandade no Facebook. Isso é ruim.

É preocupante quando o ex-presidente Lula diz: “Eu quero paz e democracia, mas, se eles querem guerra, eu sei lutar também”. Ele falou num contexto de defesa da Petrobras, dizendo que um pequeno grupo é responsável pela corrupção na empresa. E fez também uma defesa do governo Dilma. Cumpriu seu papel. Mas é preciso que um líder como o Lula tenha responsabilidade e cuidado com as palavras.
É preciso cautela, tanto da parte do governo como da oposição, para não apagar incêndio com gasolina. Declarações de guerra da oposição, como estímulo a impeachment, soam golpistas. É preciso prova. É preciso mais do que se tem hoje.

Desde a redemocratização em 1985, o país vem avançando e melhorando, com alguns solavancos. E isso é essencialmente uma obra da política, que precisa ser qualificada e valorizada. Criminalizar a política não é um bom caminho, porque não há opção melhor do que ela para transformar um país. Portanto, é preciso valorizar as instituições e dialogar por meio das instituições. Mais civilização e menos barbárie.



Fonte: http://www.blogdokennedy.com.br/
Postagem:Paulinho da Mídia, o Javali do Herval.

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