sábado, 25 de abril de 2015

FOTOS E LENDAS SOBRE A TOCA DO SAPATEIRO (CAVERNA NO INTERIOR DE HERVAL:RS)

Quando eu estava postando mais dados sobre Herval, na página inicial do blog (no cabeçalho), fui procurar matérias relacionadas a Toca do Sapateiro, e achei essa matéria de 2011, realizada por estudiosos, sobre terrenos, cavernas e achei tão interessante que publiquei no blog, para vocês.

O Link da fonte está no rodapé.


Expedição Rio Grande do Sul: 6º dia – 21.04.2011

Sr. Dalmo Dutra sendo entrevistado por Bruno Farias, lateral da sede ao fundo.
As 08:30 estávamos prontos, o Sr. Ronaldo já estava de prontidão com sua cuia e nada do nosso guia.
Nesse dia recebemos a adesão do Bruno Martins Farias, companheiro de mapeamentos anteriores do GPME em Santa Catarina e responsável pelo levantamento de muitas referências na região Sul.
09:00 e nada do nosso guia, soubemos depois que ele teve um contratempo, motivo de seu atraso. Decidimos seguir e arriscar o acesso, o Sr. Ronaldo descreveu com detalhes.
Tudo certo, localizamos a casa do Sr. Dalmo Dutra sem erros em pouco mais de 20 minutos.
Fomos extremamente bem recebidos na casa secular da sede da fazenda, em excelente estado de conservação, externa e internamente, pelo Sr. Dalmo e sua esposa Glória, ambos muito hospitaleiros e simpáticos.
Matacões de granito em volta da sede
Logo que perguntamos sobre a cavidade, o Sr. Dalmo Dutra não hesitou em apontar para uma palmeira do outro lado do vale indicando a localização.
A indicação da posição da Toca do Sapateiro a distância foi bem precisa, mas no meio da mata, nem tudo é tão simples assim. Ciente disso, o Sr.Dalmo, muito prestativo, se disponibilizou a nos levar até a área aonde a caverna provavelmente deveria estar localizada.
Os matacões de granito ao redor da casa, até então não observados na região, demonstravam que nossa referência provavelmente seria nessa litologia, contrariando algumas descrições na internet e as histórias e lendas relatadas pela população de Herval, considerando a possível e provável morfologia interna.
Uma das descrições recolhidas na internet:
Ruína de uma caverna na qual só é possível chegar através de uma trilha. Formada por uma “sala” e mais três “quartos” intercomunicantes, corre em seu interior um riacho de águas cristalinas que alimentam o arroio Telho, afluente do rio Jaguarão. Segundo a lenda, um escravo, que exercia a profissão de sapateiro, fugido omiziou-se com a esposa naquele lugar onde tiveram dois filhos. Por ameaça ao estancieiro, por este foi mandado matar, durante um simulado grande rodeio para juntar o rebanho, naquele época, solto pela região.
Na cidade ouvimos história semelhante, mas ao invés de um escravo fugido, o histórico, ou lendário, ocupante da cavidade natural seria um alemão fugido da guerra, também exercendo a ocupação de sapateiro.
Outra história:
…Serviu como esconderijo durante a Revolução Farroupilha por um sapateiro que produzia calçados, residindo com a família dentro da caverna. Pelo que contam, foram até uns 80m de profundidade e não foram mais…
Também ouvimos repetidamente que a entrada da cavidade havia sido dinamitada para evitar a instalação de colônias de morcegos hematófagos, após um surto de raiva na região, e que teríamos que deslocar blocos para tentar acessar seu interior. Com a entrada destruída, o problema da raiva teria sido resolvido.
Também ouvimos que uma parede foi construída na entrada, dentro do mesmo problema da raiva com o gado e busca da solução de eliminação dos morcegos hematófagos.
É nítido o volume de histórias relacionadas a essa cavidade, demonstrando a importância histórica da mesma para a cidade de Herval.
Cogumelos na trilha de acesso a Toca do Sapateiro
Deixando a história um pouco de lado,  seguimos para a caverna na companhia do Sr. Dalmo.
Mais cogumelos na trilha de acesso a Toca do Sapateiro.
O carro seguiu por um quilômetro na coxilha, parando uns 100 metros antes do Arroio Telho, afluente do Jaguarão.  Continuamos a pé, atravessamos o Arroio e pegamos uma trilha com leve subida.
A aproximação de um campo de matacões indicava que estávamos próximos do nosso destino.
O Sr. Dalmo nos levou até um ponto provável da localização, adiantando muito a nossa busca,  e retornou para a sede da fazenda.
Começamos a prospecção, andamos por todo o campo de matacões, dedicando maior atenção sobre a drenagem do afluente do Arroio Telho. Depois de vasculhar toda a área, localizamos alguns pequenos abrigos e algumas pequenas cavernas, nenhuma com as características descritas, principalmente no que se refere ao tamanho.
Toca do Sapateiro II. Vista de uma das entradas.
Em sua maior parte, o afluente do Arroio Telho corre entre matacões praticamente no exterior, sendo raros os trechos  em que seu curso se torna de fato subterrâneo, e no geral com passagens intransponíveis entre os matacões.
Em especial se destacaram:
– Uma pequena caverna, com aproximados 15 metros, 4 metros de desnível e relevo impossível de se viver.
  • - Outra pequena caverna com pouco mais de 8 metros de desenvolvimento. Essa possuía características que permitiriam a utilização como abrigo, com chão relativamente plano, pouco desnível e seca. No entanto, não observamos absolutamente nenhum vestígio que indicasse a ocupação da cavidade.
Toca do Sapateiro. Vista de uma das entradas laterais.
Também não observamos nenhum vestígio de explosão, muito menos de bocas entupidas por isso, até porque, qualquer iniciativa nesse sentido seria inútil, considerando as características das cavidades graníticas, com inúmeros espaços entre os blocos.
Assim sendo, identificamos e mapeamos a cavidade menor, com um mínimo de condições de habitação, como sendo a Toca do Sapateiro, e independente de seu pequeno desenvolvimento, consideramos que se trata, até o momento, da caverna mais ao sul do Brasil.
Toca do Sapateiro. Vista da outra entrada.

Denominamos a outra cavidade de Toca do Sapateiro II e por conta do tempo curto não realizamos seu mapeamento, a exemplo da inúmeras outras cavidades. Como referencial representativo, vamos identificar a área como Complexo da Toca do Sapateiro.
Diante dessas constatações, suscitamos a hipótese de estarmos no lugar errado, mas pelas descrições de drenagem, consideramos essa hipótese praticamente impossível, ou seja, muito provavelmente essas histórias podem ser consideradas lendas, devido às condições para uso desses abrigos como moradia provisória.
Bruno Farias, integrantes da Expedição Rio Grande do Sul, Sr. Dalmo Dutra e sua Esposa Glória
Retornamos a sede da fazenda, fizemos um breve momento de confraternização com o Sr. Dalmo e sua esposa Glória e seguimos em busca da Toca do Cerro Mimoso, distantes uns 30 km.
Casa de Torrão avistada durante a busca da Toca do Cerro Mimoso.
Infelizmente não conseguimos identificar bem o croquis de acesso e após 2 horas de procura sem localizar a pessoa de referência e a sua propriedade, abortamos a missão e nos rendemos a uma tarde de passeio “convencional”.
Pequeno cemitério localizado durante a busca da Toca do Cerro Mimoso.

 A Toca do Cerro Mimoso, assim como outras referências, asCavernas do Soares, no Jaguarão Chico, e aToca do Mato Grosso, no caminho para Jaguarão, todas provavelmente localizadas mais ao Sul que a Toca do Sapateiro, ficaram para a próxima oportunidade.
Seguimos nosso passeio para a cidade de Rio Branco, no Uruguai…
Ruínas de casa de pedra no caminho para o Uruguai.
Pelo caminho, antes de chegar a cidade de Jaguarão, ainda no Brasil, observamos a bela paisagem, um pouco do cotidiano local, costumes e a fauna.
Um pedaço um tanto desconhecido de nosso país, para a maioria dos brasileiros, que conserva sua tradição, com um povo muito hospitaleiro e prestativo. 
Após essa experiência e descoberta de mais um pouco desse belo Brasil, chegamos em Jaguarão.
Seguimos pela cidade, alcançamos a ponte que dá acesso ao Uruguai, ficamos quase meia hora no transito e enfim chegamos a cidade de Rio Branco, no nosso vizinho Uruguai.
De todos os lugares que passamos é o único que não recomendamos!!!
Ponte entre Jaguarão (Brasil) e Rio Branco (Uruguai)
Fomos pessimamente atendidos no restaurante, de propriedade de uma brasileira, a sobrecarga de pessoas nas ruas entretidas em compras de produtos importados mais baratos, por conta do feriado, ajudou a tornar o lugar insuportável, talvez muito além do que seja em ocasiões menos lotadas, mas que sinceramente não pretendemos conferir em outra ocasião.
Por volta das 18:30 começamos a retornar para Herval, chegando à cidade perto das 20:30.
A titulo de curiosidade, o nome do município originou-se da grande quantidade de Erva-mate nativa, e foi fundado pelo Coronel Rafael Pinto Bandeira. Fonte:  www.herval.rs.gov.br/
O Bruno seguiu de volta para sua cidade, Rio Grande.
Após nossa frustada refeição no Uruguai, fizemos um breve jantar de reforço no Restaurante Mac Delícias, com vinho é claro, e fomos dormir cedo para adiantar o horário de acordar amanhã…

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