domingo, 28 de junho de 2015

Cortar corunilhas ou roubar ovelhas?

Publicação Fabio Duarte



Cortar corunilhas ou roubar ovelhas?
por Letícia de Faria Ferreira[i]
Quem de nós não se indigna ao assistir na TV às notícias de corrupção? Sabemos que há uma Constituição no país que estabelece leis e normas que devem ser cumpridas por todos os cidadãos. No entanto, mesmo sabendo que existem essas leis e normas quase todos nós conhecemos em nossos cotidianos alguém que as descumpre, ou melhor, que escolhe qual das leis vai obedecer e qual irá descumprir. Exemplo muito comum disso é acusar-se um político que desvia dinheiro público ou quem comete algum tipo de roubo de bandido, enquanto outras infrações às leis, por interesses particulares, acreditamos que não são crimes. Emblemático disso é o descumprimento das leis ambientais e de trânsito.
Enquanto pensarmos que podemos escolher qual leis vamos cumprir e qual não, torna-se contraditório acusar os outros de corruptos e bandidos e exigir a punição adequada a esses delitos. As leis, sem exceção, precisam ser cumpridas por todos, sem exceção. Não posso escolher que seja cumprida à lei que condena o abigeato enquanto tomo uma cerveja antes de dirigir, caço sem a devida licença ou corto uma árvore nativa para fazer lenha. Por que comumente chamamos de bandido um ladrãozinho de ovelha e não fizemos o mesmo com quem corta corunilhas para fazer lenha? Ambos são criminosos por que descumprem a Constituição!
O problema da nossa sociedade em suas diferentes instâncias – de políticos a trabalhadores – é que sempre achamos que a lei é para os outros cumprirem. De nada vale repudiar a corrupção que passa todas as noites na TV enquanto aquecemos nossos pés com um toco de lenha nativa ardendo na lareira, pois i-moralmente estamos reproduzindo as mesmas atitudes, apenas em escala diferente, ao fazer de conta que as leis não são para mim.





[i] Professora da Universidade Federal do Pampa; Doutora em Desenvolvimento Rural, Agricultura e Sociedade.

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