segunda-feira, 16 de maio de 2016

Arroio Grande - Uma estrada entre o futuro e a graduação

Por: Karina Kruschardt
karina@diariopopular.com.br

 (Foto: Jô Folha - DP)
(Foto: Jô Folha - DP)
Dos milhares de estudantes que Pelotas recebe diariamente, vindos de outros municípios, os de Arroio Grande representam uma fatia significativa deste público. São cerca de 600 alunos que se deslocam de segunda sexta-feira para cá e também a outras cidades. É o sonho da graduação a muitos estudantes, por isso, é uma tarefa que exige persistência. Além do tempo perdido em locomoção, muitos ainda têm o impasse financeiro em suas idas e vindas. Com a proposta de amenizar os transtornos das viagens, a prefeitura de Arroio Grande oferece auxílio de custo a 260 estudantes, isentos das passagens de ônibus através do projeto Passe Livre. Os outros também recebem ajuda do Executivo. O município paga 47% do valor total das passagens por mês.
A grande maioria dos jovens de Arroio Grande - 461- opta por estudar em Pelotas. Em Jaguarão as opções de cursos são mais limitadas. Lá a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) oferece cinco graduações. Existem ainda o Instituto Federal Sul-Rio-grandense (IFSul), a Universidade Norte do Paraná (Unopar), que oferece cursos a distância, e a Escola Agrícola Lauro Ribeiro.
Revelyn Peter, 22, está no grupo que percorre os 95 quilômetros entre Arroio Grande e Pelotas. De 2011 a 2014 ela cursou Administração na Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Após um ano parada, à espera de uma pós-graduação - que não fechou turma -, ela voltou à sala de aula e agora cursa Jornalismo. As viagens custam a Revelyn R$ 380,00 por mês - R$ 200,00 pagos por seus pais e o restante pela prefeitura -, o que gera um gasto de R$ 2,4 mil ao ano, somados à mensalidade da universidade. Seus gastos aumentaram quando ela começou fazer estágio em Pelotas. Como consta na carteira de estudante que Revelyn tem aulas à noite (e ainda não conseguiu a documentação para utilizar o ônibus pela manhã), ela está desembolsando cerca de R$ 25,00 por viagem de carro a Pelotas, durante o dia.
Situação diferente dos alunos Keyt Nunes, 19, e Rafael Viana, 27. Eles cursam Processos Gerais e Jornalismo, respectivamente, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e conseguiram a isenção. Keyt através do Bolsa Família e Rafael como cotista.
Critérios para isenção
De acordo com o secretário de educação de Arroio Grande, Carlos Sallaberry, para receber ajuda o aluno necessita estar incluso em um dos programas sociais do governo, como Bolsa Família e Programa Universidade Para Todos (Prouni). Os estudantes devem procurar a Secretária Municipal de Educação (Smed) com a documentação exigida e comprovar, por exemplo, a renda per capita de um salário mínimo e meio. Além disso, para renovar mensalmente o benefício devem apresentar atestado de frequência. O prefeito Luís Henrique Pereira da Silva busca ampliar o número de isenções. Reuniões com a Fundação de Planejamento Metropolitano Regional (Metroplan) já foram realizadas. Porém, ainda sem resposta alguma, a prioridade continua sendo manter as isenções já existentes.
O tempo como inimigo
Os alunos entrevistados na reportagem relataram melhorias no transporte. Porém, têm como reclamação o tempo perdido na estrada. Ao total, dez ônibus vêm para Pelotas - cinco pela manhã e cinco à noite -, e mesmo assim os horários das linhas não são benéficos a todos. Os veículos da manhã saem de Arroio Grande às 6h e os da tarde às 17h15min, sendo que a viagem dura cerca de uma e meia. Ocorre que em alguns casos os horários de chegada não coincidem com os dos estudantes. Alguns têm horários vagos ou ainda necessitam vir a Pelotas realizar trabalhos em outro turno. Nesse tempo ocioso é preciso ficar à espera da aula. Ser liberado mais cedo também pode ser outro fator de desmotivação, relatam os alunos.

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