terça-feira, 12 de julho de 2016

População de javalis preocupa criadores de ovinos e agricultores de Herval e região.

Plantações de milho e cordeiros ainda jovens são os principais alvos dos bandos de porcos selvagens

Por Kimberlly Kappenberg
kimberlly.kappenberg@diariopopular.com.br





Imagem mostra javali atacando cachorro durante caça ao animal; produtores rurais reclamam que população desses porcos selvagens cresce na Zona Sul, atacando plantações e jovens ovinos para fins de alimento - Divulgação DP


Lavouras arrasadas e cordeiros mortos. A infestação de javalis na Zona Sul vem trazendo enormes prejuízos econômicos às propriedades rurais.
A espécie exótica invasora, introduzida no país por um eventual benefício, afeta a agricultura e a pecuária - as plantações de milho e a ovinocultura são as áreas mais atacadas. Os porcos selvagens podem ocasionar também impactos negativos à biodiversidade do Estado, com a diminuição de espécies vegetais nativas, a aceleração do processo de erosão e o aumento do assoreamento dos rios.
Devido à numerosidade dos bandos, que se reproduzem anualmente com até dez filhotes por ninhada, os javalis estão chegando à zona urbana. De acordo com a veterinária da Emater, Marina Sinott, os porcos selvagens preferem as regiões próximas a arroios e matas para se abrigar, mas com o aumento da população, já não há espaço suficiente e eles estão saindo do campo e migrando também para a cidade. A ferocidade é um fator que dificulta sua captura, pois podem ferir as pessoas e os cães usados na caça, afirma a veterinária.
No Brasil, o abate para manejo controlado é autorizado e fiscalizado pelo Ibama e segue um rigoroso processo. O controle da espécie foi autorizado em 2013, de acordo com regras estabelecidas pela Instrução Normativa 03/2013, devido à grande insurgência do animal no país, especialmente nos estados do Sul, para onde os javalis migraram após serem libertos dos cativeiros por criadores uruguaios. Se tornaram um problema, pois por aqui não existem seus predadores naturais, os lobos e os linces.

Pedido de ajuda
O agricultor Bitelmo Duarte, 58, no início do mês sofreu com o ataque de 60 animais, que vieram do Uruguai em dois bandos e causaram a destruição de um dos três hectares de milho de sua produção, em Jaguarão. O agricultor precisou do auxílio da Emater de seu município e de caçadores licenciados para conseguir controlar os animais.
As regras para fazer o controle:

1) Inscrever-se no Cadastro Técnico Federal (CTF), na atividade 20-28 (manejo de fauna exótica invasora)
2) Ter o certificado de regularidade no CTF em dia
3) Registrar, no Exército, as armas que serão utilizadas para o abate
4) Ter a declaração de Manejo de Espécies Exóticas Invasoras em duas vias, uma para ser protocolada em qualquer unidade do Ibama, outra para permanecer com o responsável pela atividade
5) Ter o Certificado de Regularidade e Formulário de Declaração em mãos durante as atividades de controle do javali.
6) Realizar o Relatório de Manejo de Espécies Exóticas Invasoras, protocolado em qualquer unidade do Ibama a cada três meses.
Os problemas causados em algumas cidades da região:
Pinheiro Machado
Prejuízos significativos nas plantações de milho, que são comidas ou destruídas na passagem dos bandos, têm levado agricultores a desistir de plantar.
Jaguarão
O número de animais tem crescido muito, assim como a ocorrência de ataques a plantações. Uma das causas é a proximidade com o Uruguai, por onde chega a maioria dos javalis.
Herval 
Em comparação ao ano passado, os casos diminuíram, mas os alvos continuam os mesmos: plantações de milho e jovens cordeiros, que servem de alimento.
Piratini
Com o aumento exponencial dos animais, o habitat está pequeno para acomodar a população e os javalis já 
estão sendo vistos também na zona urbana.
Sobre a espécie
Origem 
Europa, Ásia e norte da África. Foi introduzido em diversas regiões como animal de criação para consumo. O adulto possui presas e pelos longos e de cor preta. O jovem possui listras.
Habitat
Bosques com vegetação onde possam esconder-se, mas frequentam à noite áreas abertas.
Alimentação 
Onívoro (come alimentos de origem animal e vegetal). A base alimentar inclui raízes, frutos, sementes, minhocas, insetos, ovos e até pequenos mamíferos.
Reprodução 
Entre dezembro e janeiro, quando os machos adultos buscam fêmeas receptivas. A gestação dura cerca de 110 dias (quase quatro meses), com os nascimentos ocorrendo entre março e abril. As ninhadas têm entre dois e dez leitões, que após uma semana já podem acompanhar a mãe.
Bandos 
Grupos de três a cinco animais, formados pelas fêmeas e suas crias, embora possam ser encontrados grupos superiores a 20 javalis.
Doenças
Podem transmitir leptospirose, febre aftosa, tuberculose, parvovirose suína, a doença vesicular do suínos, febre e também peste suína ou cólera do porco.
Quantos são
500 mil no Rio Grande do Sul, de acordo com dados do Ibama apresentados em audiência da Assembleia Legislativa, em 2015.
Postagem:Paulinho da Mídia, o Javali do Herval.

Um comentário:

  1. No Herval, o ataque ao rebanho é bem maior. O que nao ha é registro desse fato pelas autoridades. Nas rodas de conversas entre amigos e produtores rurais,todo dia falam-se de cada vez mais ataques a animais e lavouras.

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